BLOG: Not a Film Critic
Antes de mais quero agradecer ao Blockbusters pelo convite que me fez para criar o meu Top 10 das Melhores Adaptações da BD. Pode soar a agradecimento da praxe mas nem nunca me tinha ocorrido criar um top de melhores adaptações de banda-desenhada, nem acredito que pudesse existir melhor timing para o fazer. Posto isto, quero enfatizar como foi difícil responder a este desafio. A minha lista final ficou reduzida a 11 escolhas. Isso mesmo. E não queria abdicar de nenhuma delas. Por isso, muito depois da publicação deste top vou achar que devia ter criado uma lista com 10 entradas e meia ou com direito, pelo menos, a uma menção honrosa.
Duas considerações adicionais: 1) Não visionei todos os filmes da lista inicial, o que poderá justificar algumas ausências escandalosas e 2) só apreciei os filmes pela sua qualidade intrínseca e não como adaptações, pois apenas li as Bandas-desenhadas do Wolverine, Demolidor, X-Men, Elektra, Hulk e Capitão América e, mesmo assim, à excepção dos X-Men, só li números soltos.
Menção Honrosa ou escolha nº 10,5: “Hellboy 2”
10 - Blade 2
Guillermo del Toro trouxe-nos um filme repleto de acção, numa época em que os vampiros ainda dispunham de boa reputação. Esta segunda encarnação é, apesar tudo inferior, pois carece de um vilão tão emblemático como o Deacon Frost de Stephen Dorff e o factor novidade. Mas nesta segunda encarnação Blade, o daywalker, continua tão atlético quanto antes e traz novos truques na manga. Ele volta a percorrer as ruas e os esgotos da cidade à caça daquilo que mais detesta neste mundo: vampiros.
9 - Procurado
Eis um dia vulgar na vida de qualquer pessoa: descobrir que o nosso pai não era quem pensávamos, mas um assassino e que existe uma sociedade de assassinos que nos quer recrutar para efectuar uns “trabalhos”. Como se o argumento não tivesse já um je ne sais quoi de surreal, ainda descobrimos que as balas podem fazer ângulos de 180º e até 360º graus para chegar às suas vítimas. Ah, e o nosso mentor é a lindíssima Angelina Jolie. Entretenimento puro!
8 - Batman – O Início
Depois do flop, a todos os níveis, de “Batman e Robin”, Christopher Nolan fez o impensável e aceitou trabalhar num franchise moribundo. Quando se esperava uma experiência de humildade para este realizador, ele conseguiu ressuscitar o interesse pelo herói obcecado por morcegos e conquistar novos fãs. A este sucesso não é imune o casting de Christian Bale e um corte com tudo o que conhecêramos antes. Nolan foi às origens e tornou Batman, um personagem real.
7 - 300
Um exército invasor. Uma pequena Cidade-Estado. 300 entregam-se a uma luta desigual para travar um exército de centenas de milhar e salvar toda a Grécia. A História da batalha de Termópilas foi sacrificada a bem do espetáculo visual. A caracterização exagerada, violência estilizada e os corpos tonificados dos Espartanos, dignos da capa da Men’s Health, dificilmente correspondem a 480 A.C. Que importa? Isto é Esparta!
6 - X-Men
A primeira adaptação da célebre equipa de mutantes, criada por Stan Lee em colaboração com Jack Kirby, traz-nos algumas das personagens mais queridas do universo Marvel sem cair numa mitologia demasiado intrincada. É, para uns, uma aventura nostálgica e para outros um admirável mundo novo.
5 - O Cavaleiro das Trevas
São raros os exemplos de sequelas superiores aos filmes originais mas “O Cavaleiro das Trevas” pertence a essa lista. O mérito vai todo para o confronto entre o justiceiro negro Batman e o brutal Joker. Enquanto Jack Nickolson foi um Joker sinistro com um toque de humor negro, Heath Ledger levou o personagem até ao limite e perdeu-se no pior da psique humana. A sua interpretação elevou o filme, a sua morte tornou a visualização do filme, uma homenagem obrigatória.
4 - Sin City
A cidade do pecado de Frank Miller é a acção ficcionalizada de vícios bem reais. Homicídio, pedofilia, prostituição… são lugares-comuns na cidade que nunca dorme, onde o futuro parece negro e a esperança não é mais do que um bem escasso. “Sin City” remete-nos para os anos dourados do filme noir, sem esquecer o desassossego do século XXI. Quase que esperava ver o Bogie dar a volta à esquina.
3 - V de Vingança
Onde é que errámos? Onde é que na procura de paz social e prosperidade nos tornámos cordeirinhos seguidores de tiranos disfarçados de líderes? “V de Vingança” é um retrato assustador da sociedade ocidental contemporânea, com dois dos melhores actores da actualidade, a oscarizada Natalie Portman e subvalorizado Hugo Weaving.
2 - Constantine
O personagem John Constantine é um tipo lacónico, na maioria das vezes desagradável e egoísta. Não é nada que o Keanu Reeves não tenha já feito antes. Se esquecermos o facto de que o Reeves é Reeves, “Constantine” traz-nos uma mitologia negra e um anti-herói que escarnece da fé e da sua própria mortalidade, enquanto possui as respostas para alguns dos maiores mistérios que assolam a humanidade.
1 - Hellboy
Não sei se é uma maldição ou uma bênção disfarçada, mas o Ron Perlman encontrou, finalmente, o papel em que a sua ausência de beleza é uma vantagem. “Hellboy” traz-nos personagens caricaturescas, um conjunto de heróis silenciosos, com emoções mais profundas que os da adaptação de BD típica. PS: É também o primeiro filme em que consegui gostar da Selma Blair.
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